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>>>Ensinamento do Mês de Agosto de 2010<<<

 

Prezados Irmãos,

Se há uma fraqueza comum a todos nós – cristãos - com certeza estamos falando de nossa capacidade, não só de ofender uns aos outros, como também de abrigarmos o lixo da ofensa e conseqüentemente da amargura em nossa velha alma, que infelizmente não desiste tão facilmente dos ratos, baratas e morcegos que a rodeiam!

Contudo, o – aparentemente amargo, mas eficaz - remédio já nos foi receitado:

(...) amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam. Ao que te bate numa face, oferece-lhe também a outra; e, ao que tirar a tua capa, deixa-o levar também a túnica. (...) se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem (Lc 6:27-29; Rm 12:20,21)

Nossa dificuldade em perdoar é porque não fazemos idéia do preço que a nossa redenção custou ao nosso Pai Celestial. Também ignoramos as conseqüências de nosso ato, seguindo em frente com as nossas baratas, morcegos e ratos, porque estamos viciados num evangelho de conveniências – do tipo - se eu fizer isso o que é que eu vou ganhar? – não enxergamos que vantagem se tem em manter o nosso coração e alma livres de mágoa e ressentimento.

Mas é bom guardarmos isso: De acordo com a Graça ensinada no Novo Testamento – temos obrigação de perdoar, se é que desejamos mesmo andar com Deus. A não ser que estejamos dispostos a arcar com as conseqüências.

Liberar o incondicional perdão àqueles com quem ficamos ofendidos, evitará que sejamos recolhidos àquela prisão emocional. E fique sabendo que este é precisamente o lugar onde Satanás é craque, porque tem conseguido manter preso na fortaleza da amargura um número gigantesco de cristãos professos.

A bênção de perdoar sempre resultará naquela paz e alegria sempre crescentes – como também manteremos limpo e desimpedido o nosso relacionamento com o nosso Pai Celestial, e Ele aceitará a nossa Oferta de Adoração Pessoal, e nos levará cada vez mais para perto de Si. Por isso, quando nos apresentamos a Ele, buscando comunhão, devemos saber que tudo está bem entre nós e o nosso próximo:

Se, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares que teu irmão tem alguma cousa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta(Mt 5:23,24).

Quando Jesus falou na principal ferramenta para o nosso relacionamento com o nosso Pai Celestial, na oração do Pai Nosso - Ele se referiu a fatos importantíssimos como A Presença do Pai, Sua Santidade, Sua Vontade Perfeita, falando de Seu Reino, do Suprimento diário, da Tentação, do Poder, da Glória, como podemos observar no texto de Mateus Seis, versículos nove ao quinze.

Fico admirado que dentre tantos aspectos importantes que poderia comentar, ele tenha destacado apenas o dever de perdoarmos uns aos outros. O fato do Novo Testamento falar exaustivamente sobre o perdão, é porque sem dúvida é muito importante treinarmos a nossa alma na área do perdão.

E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores. Porque, se perdoardes aos homens a suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas(Mt 6:12,14,15).

Há muito mais do que bênçãos em perdoar de coração ao nosso irmão. Mas, como vimos no texto acima, também são trágicas as conseqüências quando endurecemos a nossa alma e nos recusamos a andar a segunda milha com o nosso próximo. Para falar com franqueza, passamos a ter problemas com o próprio Deus.

Quando há em nós prontidão em perdoar, a nossa fé passará a funcionar. Anote isso: toda vez que a sua fé ficar obstruída, o primeiro lugar onde você deve verificar é se está tudo bem em seus relacionamentos, na família, na vizinhança, no trabalho, na Igreja, etc.

Quando nos dirigirmos à montanha das enfermidades, falta de recursos, etc., e constatamos com tristeza que não está funcionando, ou mesmo em busca da alegria, felicidade e realização interior, Jesus disse para verificarmos se não há problemas na área do perdão. Observe que aqui que o não perdoar atrapalha a nossa fé.

Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco. E, quando estiverdes orando, se tendes alguma cousa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas. Mas, se não perdoardes, também vosso Pai celestial não vos perdoará as vossas ofensas (Mc 11:24-26).

É uma revelação do céu compreender que não devemos mais abrigar ofensas em nossas almas contra absolutamente ninguém, bem como decidir que não mais machucaremos qualquer pessoa – e se tal ocorrer - estaremos também prontos a consertar imediatamente a situação.

Tal decisão é motivada pelo grandioso fato de que o que está em jogo é a nossa Comunhão com Deus, que deve ser mantida a qualquer preço. E, jamais permitiremos que ratos, baratas e morcegos – mágoas, ressentimentos e ofensas - venham roubar a bênção desse relacionamento fantástico.

Há um grande perigo de se viver magoado. É que a nossa alma acabará adquirindo o formato da própria ofensa, e com isso passamos a não gostar de ninguém. E passamos a julgar com amargura tudo o que acontece ao nosso redor!

Observe a gravidade desse do assunto que estamos considerando nas palavras de Jesus. Essas palavras foram ditas na mesma ocasião que ensinou os discípulos a orar:

Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão. Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo(Mt 5:25,26).

Jesus disse que não apenas devemos perdoar, mas que também não deve haver lentidão e demora no processo, antes que as baratas, morcegos e ratos comecem a se sentir “em casa”, e passem a construir os seus ninhos nojentos em nossas almas. Amemos, pois, os nossos inimigos, façamos o bem aos que nos odeiam, abençoemos aos que nos maldizem e oremos por aqueles que nos caluniam.

Como podemos observar o não perdoar desencadeará numa série de conseqüências desastrosas. Observe as palavras de Jesus: “Entra em acordo sem demora”. Em outras palavras, “resolvam perdoar rapidamente”.

Abrigar ressentimentos em relação ao nosso próximo acabará esfriando a relação - com quem, outrora, nos dávamos tão bem. Reagimos assim porque o nosso sentimento mudou em relação a ele a partir do momento em que ficamos ofendidos. Já não queremos nos aproximar. Negamos a comunhão como uma forma de protesto. Pensamos: Afinal, quem ele pensa que é para ter me tratado daquela maneira!

O silêncio, a indiferença e o afastamento, é uma forma disfarçada de julgar e condenar a pessoa com quem ficamos ofendidos. Esfriamos a relação porque não queremos assumir logo de início que ficamos magoados. Jesus disse que devemos ser honestos o bastante para admitirmos e julgar prontamente os nossos próprios atos e sentimentos, buscando a solução, tão logo tomamos consciência de que algo mudou em nós em relação ao próximo.

Mas em vez disso nos escondemos atrás da mentira que nós próprios inventamos. Afinal, a coisa mais fácil de dizer é “eu perdôo, está tudo bem, eu não tenho mágoa, não”. Essa máscara é que nos atrapalha. Agimos assim porque declarar que não perdoamos e que não queremos mais nos relacionar com a pessoa, é assumir que estamos com problemas com ela.

É com essa sutileza que procuramos esconder de nós mesmos o pecado que viola a Graça dAquele que nos “libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor(Cl 1:13).

Cair no pecado de não perdoar resulta em grande tragédia - porque na medida em que julgamos e condenamos o próximo – mesmo com os nossos disfarces e máscaras – nós também seremos julgados:

Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados; daí, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também(Lc 6:37,38).

Toda a imensurável dívida que tínhamos com Deus – a qual já estava completamente quitada por Cristo – passa a ser reivindicada. E onde encontraremos recursos para saldá-la? Só em Cristo! É bom que se compreenda que Deus é longânimo, compassivo e misericordioso, e que antes de entrar em juízo, Ele nos dá inúmeras oportunidades de corrigir o rumo de nossa vida. Mas chegará o momento em que Ele exigirá que resolvamos o problema da ofensa. A partir de então, o problema já não é mais com a pessoa, e sim, com o próprio Deus! Queremos continuar frios e indiferentes com o próximo, lhe negando o relacionamento? O Pai também nos negará a comunhão! Simples assim, e verdadeiro.

Observe atentamente, por favor, aonde o problema de relacionamento pode nos levar:

Nisto, porém, que vos prescrevo, não vos louvo, porquanto vos ajuntais não para melhor e sim para pior. Porque, antes de tudo, estou informado haver divisões entre vós quando vos reunis na igreja; e eu, em parte, o creio. Quando, pois, vos reunis no mesmo lugar, não é a ceia do Senhor que comeis. Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão e beba do cálice; pois quem como e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo (I Co 11:17,18,20,27-32).

Tolerar mágoas e ressentimentos não apenas nos roubará a nossa força espiritual, minando a nossa fé, a nossa alegria e a nossa paz interior – como também podemos adoecer fisicamente. E, nesse caso não adianta correr aqui e ali em busca de oração. Apenas quando perdoarmos àqueles contra quem abrigamos ofensas, é que liberamos a nossa fé para Deus nos curar. Lembra do que escreveu o apóstolo João? “(...) Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue(I Jo 5:16c).


Os coríntios estavam perplexos com tanta gente doente na igreja, desconhecendo completamente a causa. Havia muitos irmãos que não conseguiam se apropriar da cura e acabavam morrendo. Embora seja da vontade de Deus curar a todos, uma vez que Jesus já levou as nossas enfermidades e dores, mas nesse caso a nossa fé não vai funcionar, porque insistimos em alimentar as obstinadas baratas, morcegos e ratos de nossas almas.

Paulo os repreende severamente, lembrando-lhes que deviam julgar os seus turbulentos relacionamentos, os quais certamente resultarem em muitas feridas e dores.

E quando Paulo lhes traz à lembrança o fato de Jesus ter sofrido em seu próprio corpo o julgamento de nossos pecados, incluindo os açoites das ofensas que sofremos em nossos relacionamentos – para que nós – membros do seu Corpo – vivêssemos unidos:

Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão(I Co 10:16).

Todas as vezes que nos apresentamos a Deus, buscando a comunhão com Ele – devemos perdoar, orar e abençoar aquela pessoa com quem ficamos ofendidos. A Ceia do Senhor deve ser vista pelo cristão que dela participa, como a última instância onde o crente deve recorrer a fim de se livrar da ofensa. Ao celebrarmos a Ceia do Senhor temos a oportunidade de resolver as questões de nossos relacionamentos pessoais, pois nos encontramos à mesa com O Senhor. Lembremos que nessa mesa está presente, além de JESUS, Judas Iscariotes, Pedro que o negou três vezes, o duvidoso Tomé...

Na Ceia, é o perdão de Deus que estamos celebrando. Perdão, ao qual não tínhamos direito, porque O havíamos ofendido com os nossos pecados. Perdão, como fruto da Graça que foi capaz de transformar inimigos abomináveis em filhos!

Começando pela Ceia e se estendendo aos nossos relacionamentos do dia a dia, devemos aprender a dispensar a mesma Graça Perdoadora com a qual fomos aceitos, perdoando também a quem nos tem ofendido.

A não ser que não nos importamos de passar a vida dominados por fraquezas, distantes da comunhão com Deus, doentes e partir para a eternidade sem termos vivido o melhor que Ele havia planejado para cada um de nós, seus filhos, além de não cumprirmos a chamada que dEle recebemos.

Pr. Eurípedes D. Soares
Um Servidor do Reino de Cristo


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